"Durante o processo é importante que haja uma abertura para que o seu transe aprisionado, decorrente de tantos anos como instrumento, possa ser liberado no sentido de torná-lo sujeito de sua dança e não objeto. O processo portanto estará nas mãos do bailarino, a partir do momento em que ele aprenda a conduzir as oposições. Aceitando o conflito em seu corpo ele poderá elaborá-lo e transformá-lo em poesia. Uma importante condição para a construção de sua dança é a liberdade de dançar, isto é, sem a cristalização de códigos gestuais e sim a construção do gesto que está em contato direto com a vida."
Graziela Rodrigues
(Trecho do artigo "O bailarino-pesquisador-intérprete incorpora uma realidade gestual", dessa autora dançarina que eu admiro muito.
Disponível em: http://www.iar.unicamp.br/~graziela/gr_ap1.html)
*Foto: Espetáculo "Nascedouro", de Elisa Costa
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Contato Improvisação (trecho de texto de Annie Suquet)
"(...) Os pressupostos da dança-contato (...) estão longe de serem anódinos. Implicam uma visão poética, mas também política, da relação ao outro. O tato pode, com toda a razão, ser apresentado ali como "um sentido revolucionário". (...) O tato, esse sentido bastante primitivo e culturalmente desvalorizado, passa a ser, na dança-contato, o vetor de uma "redistribuição dos códigos espaciais e sociais da distância entre as pessoas". (...) A armadura muscular tende a se fazer mais flexível, os próprios tecidos do corpo amolecem, aprende-se a acolher e a ser acolhido, comenta a bailarina de contato Karen Nelson. O corpo do contacter atesta que ele não quer apoderar-se dos seres e das coisas, e essa atitude é emblemática de todo um setor da dança contemporânea.
(...) A dança-contato, com efeito, faz parte das formas de dança que, no século XX, reinventaram da maneira mais profunda a esfera perceptiva. Nessa dança do tato, o maior dos órgãos do corpo, que é a pele, desenvolve uma extrema sensibilidade que não tem nada de superficial. (...) Nenhuma dança neste século nega mais radicalmente a precedência cultural do olhar. Apenas a visão periférica continua sendo essencial, pois ela permite varrer um horizonte de formas em movimento. A dança-contato amplia essa modalidade da visão. (...) É com efeito, in fine, o "sentido do tempo" que se aguça pela dança-contato. "A que velocidade percebemos o nosso pensamento" - pergunta-se Paxton.
A contact improvisation (...) sintetiza muitos dos desafios da dança contemporânea. E ao mesmo tempo constitui para ela um ponto limite. A forma, a estrutura aí são radicalmente subordinadas ao processo. A contact improvisation permite que se veja a emergência do movimento: é a experiência que cria um espetáculo, aquém e além de toda representação mental"
(Fonte: SUQUET, Annie. Cenas: um laboratório da percepção. In: COURTINE, J. J., CORBIN, A. & VIGARELLO, G. "História do corpo". Vol 3. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008)
Foto: Foto mostrando o dançarino de CI Ray Chung, disponível em: http://contactimpro.org/en-article163.html
(...) A dança-contato, com efeito, faz parte das formas de dança que, no século XX, reinventaram da maneira mais profunda a esfera perceptiva. Nessa dança do tato, o maior dos órgãos do corpo, que é a pele, desenvolve uma extrema sensibilidade que não tem nada de superficial. (...) Nenhuma dança neste século nega mais radicalmente a precedência cultural do olhar. Apenas a visão periférica continua sendo essencial, pois ela permite varrer um horizonte de formas em movimento. A dança-contato amplia essa modalidade da visão. (...) É com efeito, in fine, o "sentido do tempo" que se aguça pela dança-contato. "A que velocidade percebemos o nosso pensamento" - pergunta-se Paxton.
A contact improvisation (...) sintetiza muitos dos desafios da dança contemporânea. E ao mesmo tempo constitui para ela um ponto limite. A forma, a estrutura aí são radicalmente subordinadas ao processo. A contact improvisation permite que se veja a emergência do movimento: é a experiência que cria um espetáculo, aquém e além de toda representação mental"
(Fonte: SUQUET, Annie. Cenas: um laboratório da percepção. In: COURTINE, J. J., CORBIN, A. & VIGARELLO, G. "História do corpo". Vol 3. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008)
Foto: Foto mostrando o dançarino de CI Ray Chung, disponível em: http://contactimpro.org/en-article163.html
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sexta-feira, 26 de abril de 2013
"Não vou fazer nada pra esconder, nada pra brilhar, nem nada pra fugir"
Bela entrevista do Alejandro Ahmed para o Idança!
http://idanca.net/alejandro-ahmed-depois-das-quedas/
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segunda-feira, 15 de abril de 2013
Televisão
"Há poucas coisas que as pessoas fazem mais do que ver televisão. Da vida normal de uma pessoa, nove anos são passados diante de um aparelho de TV que, com a ajuda de satélites, modela talvez até três bilhões de espectadores (...)” (Luiz Nazario)
Projeto de criação em dança, recém-aprovado na edição 2013 do edital "Novos coreógrafos - Novas criações: Site Specific", do Centro Cultural São Paulo.
“O artista é aquele que viaja nos labirintos ou nos subsolos do mundo social. (...) Devolve aos detalhes insignificantes da prosa do mundo sua dupla potência poética e significante. Na topografia de um lugar ou na fisionomia de uma fachada, na forma ou no desgaste de uma vestimenta, no caos de uma exposição de mercadorias ou de detritos, ele reconhece os elementos de uma mitologia”
(Jacques Rancière )
“A forma da obra contemporânea vai além de sua forma material: ela é um elemento de ligação, um princípio de aglutinação dinâmica” (Nicolas Bouriaud )
Fotografias: Vinícius Sanaiote
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quarta-feira, 27 de março de 2013
Corpo-encontro (mestrado)
"Encontro entre corpos: um estudo sobre o corpo por meio do diálogo entre a dança Contato Improvisação e a psicanálise winnicotiana"
Minha dissertação de mestrado no IP-USP, disponível online.
Resumo:
Este trabalho pretende discutir alguns aspectos fundamentais a respeito das relações entre sujeito e corpo. Para isso, enfocaremos experiências propiciadas por uma proposta de dança contemporânea denominada Contato Improvisação, em um diálogo com os conceitos elaborados pelo psicanalista Donald Winnicott. O Contato Improvisação é uma forma de dança surgida nos anos 1970, nos EUA, baseada em uma proposta de improvisação a partir do contato físico. Essa proposta propicia regimes de relação e comunicação com o outro com matizes e sentidos complexos, passando por experiências de indiferenciação e comunicação imediata, até experiências de confrontação com a diferença e radical alteridade, não somente do outro corpo, mas a alteridade constitutiva do sujeito e da própria corporeidade. O exame destas diferentes experiências nos levará a discutir dimensões da presença da alteridade no processo nunca acabado de constituição do corpo, fundamentalmente alimentado pelas experiências ligadas ao universo do brincar, tal como conceituado por Winnicott.
Link para o texto completo:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-07052012-175206/pt-br.php
Minha dissertação de mestrado no IP-USP, disponível online.
Resumo:
Este trabalho pretende discutir alguns aspectos fundamentais a respeito das relações entre sujeito e corpo. Para isso, enfocaremos experiências propiciadas por uma proposta de dança contemporânea denominada Contato Improvisação, em um diálogo com os conceitos elaborados pelo psicanalista Donald Winnicott. O Contato Improvisação é uma forma de dança surgida nos anos 1970, nos EUA, baseada em uma proposta de improvisação a partir do contato físico. Essa proposta propicia regimes de relação e comunicação com o outro com matizes e sentidos complexos, passando por experiências de indiferenciação e comunicação imediata, até experiências de confrontação com a diferença e radical alteridade, não somente do outro corpo, mas a alteridade constitutiva do sujeito e da própria corporeidade. O exame destas diferentes experiências nos levará a discutir dimensões da presença da alteridade no processo nunca acabado de constituição do corpo, fundamentalmente alimentado pelas experiências ligadas ao universo do brincar, tal como conceituado por Winnicott.
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A poeira que se assenta - Ai Weiwei
"Ainda existem tantas crianças que desejam viver contos de fadas, rapazes e moças que desejam se apaixonar, jovens que sonham com sua vida futura, pessoas bem-sucedidas que desejam dirigir BMWs, comprar apartamentos de luxo e arranjar uma segunda esposa, participar de reuniões importantes, discutir assuntos acadêmicos, desenvolver empreendimentos imobiliários, colocar sua empresa no mercado, abrir uma joint venture, expandir seu portfólio de investimentos, vender remédios, produzir, vender entradas para espetáculos, promover, aprimorar... tantos 'desejos', mas nenhuma vontade de respirar. Nenhuma vontade de abrir os olhos. Parece que as pessoas são capazes de existir no sufoco e na escuridão"
(Publicado no facebook do artista Ai Weiwei em 2006, mas a página, de acordo com informações na exposição do artista no MIS, foi apagada por mando do governo chinês)
Foto: Lennart Preiss/AP
segunda-feira, 18 de março de 2013
Ruínas
Colaboração com Ana Brandão e Rosana Pellegrini
| Fotos: Vinícius Sanaiote |
Afetados pelo fato de termos estudado dança no mesmo prédio que abrigou, há apenas uma década, um dos pavilhões da notória Casa de Detenção do Carandiru, decidimos remexer algumas de suas memórias e imergir nas narrativas que retratam os modos de existência e de sobrevivência naquela prisão, pondo-as em diálogo com nossas próprias experiências com Carandirus insuspeitos e sutis que povoam nosso cotidiano e acontecem em nossas histórias pessoais.
Mais informações:
http://projetoruinas.tumblr.com/
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